quarta-feira, 29 de abril de 2009

Auto-retrato De Um Alegado Hipócrita!

Procuro formas fáceis de resolver os problemas, pratico excessos, passo os limites do aceitável. Torno-me insensível, duro e hipócrita, aprendo a esconder todos os meus sentimentos, os pensamentos e os segredos com me asfixio todas as vezes que o tento contar, escondo-me numa mascara que oculta que eu realmente sou.
Penso nos loucos momentos em que não me privei da insanidade e do excesso, que me faz entrar em puro delírio de prazer. Um prazer que me trouxe desalento, mágoa e tristeza.
Penso em todos os segredos que me coroem por dentro sem os poder revelar, sem sequer ter uma oportunidade de os poder compreender, muitas das vezes surgem de uma forma automática.
Pratico actos voluntários de escárnio público para agradar todos os outros que se dizem meus amigos.
Cada vez o nível da hipocrisia se torna minha cúmplice no crime, um crime que me levam a cair numa mistura de pensamentos suicidas. ao ponto de nem olhar para trás e tomar um veneno letal que acabe com tudo num brusco instante, mas pior que esse veneno é o medo de viver em paz, medo de me mostrar na minha forma pura. De mostrar o meu verdadeiro eu, vivo numa mentira que se enrola numa bola inconstante que ameaça romper.
Vivo em estado de adrenalina inalterável, estado que corrói a minhas veias desfaz a minha alma em inúmeros pedaços divididos por todos os momentos de dissimulação do meu vicioso ser.
Nos momentos que tento reflectir sobre as minhas acções em que fecho os olhos, as sombras do purgatório atormentam e tentam levar a minha alma, não me deixam voltar a trás para consertar erros feitos no passado. Erros com os que me debato, pensando numa maneira de não os ter feito, ou ainda pior, erros que eu deveria ter cometido e por medo não os cometi.
Vivo atormentado por uma bipolaridade doentia, que assume o meu ser, toma conta da minha essência e se torna nos meus excessos, todos eles se torna um ciclo vicioso, uma roda gigante de atitudes deploráveis. Sinto-me embriagado por uma atitude não programada. Fico assim de uma forma triste e deplorável, sendo eu a minha própria humilhação, não tenho coragem de me impor a este aspecto ambíguo de ser.
A hipocrisia fez de mim o que sou hoje. Assim uma pessoa dissimulada e inconstante. Uma pessoa sem ideais, sem sonhos nem desejos, sem quais queres ideais e ambições, sem míngua de saber mais sobre o que posso saber. Largar este vício não é fácil, pois como em qualquer outro vício há passos a dar, recaídas a ter e medos a ultrapassar. Este se torna um retrato vergonhoso de uma mente fraca e influenciável pelos segredos escondidos na sua vida.

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